
Director: Mario Monicelli
Enter the Void (2009)

Director: Gaspar Noé
Days Of Heaven (1978)

Director: Terrence Malick
"É a jornada angustiante e (des)norteada de um homem encurralado - primeiro na paisagem lunar do Afeganistão com seus ardentes desertos e inquietas ravinas, depois na paisagem igualmente lunar, na florestas refrigeradas do norte, talvez na Polónia ou na Noruega, tanto faz. E também quase tanto faz tratar-se de um homem. Neste caso um Talibã, capturado pelos militares americanos, ensurdecido por um disparo de helicóptero, torturado e deslocalizado para estas paragens do primeiro mundo, onde a fuga e os assassinatos em série acontecem porque simplesmente se proporcionam. Diz-se um homem, podia tratar-se de uma daquelas raposas desorientadas, perseguidas pela algazarra da matilha de Beagles e estranhos seres de casaca encarnada montados noutros animais galopantes. Ou aquelas que preferem roer a própria pata para escaparem da armadilha. Este foge, porque sim. E mata, porque sim, também. Porque tem de ser, a sobrevivência é mesmo assim crua, silenciosa, brutal, selvagem, obstinada. E essencial, como diz a versão original do título, Essential Killing.
Nas mãos de Skolimowski ele torna-se um thriller existencial, minimalista, em que o barbudo afegão (só sabemos que ele se chama Mohammed pelos créditos finais), não pronuncia uma única palavra ao longo do filme. Limita-se arfar, a gemer, a urrar, a tremer de medo e de frio, a matar a fome e as pessoas também a frio, a alucinar também no frio - pelos vistos também podem acontecer miragens em desertos gelados. É uma interpretação gutural, de uma fisicalidade absoluta, e que garantiu a Vicent Gallo o prémio de melhor actor no Festival de Veneza - aliás, o próprio filme saiu premiado...
Um filme bem interessante este de Noah Baumbach. É um atestado ao conceito de família moderna, uma realidade onde os pais várias vezes se sobrepõem aos interesses e à própria educação dos filhos. Gostei da forma intimista como Noah o faz e como se preocupa em mostrar como duas crianças podem sentir os erros dos pais, principalmente se elas tiverem em idades de auto afirmação. A separação dos pais reflecte-se de tal forma no filho mais novo que, apesar de já parecer ter uma certa maturidade, o miúdo vai à descoberta do seu próprio corpo. Por outro lado o filho mais velho tenta agir como os pais relativamente às outras raparigas, de forma a culpabilizá-los pela separação e esconder-se das suas fraquezas. Os pais, esses são de facto os responsáveis pelo estado dos filhos. Esquecem-se que primeiro está a educação deles e que só depois é que podem planear o que quer que seja. Se, por um lado, o pai Bernad (Jeff Daniels) é um maníaco compulsivo em não gastar dinheiro e por tudo o que não seja “filisteu”, por outro a mãe vive em constantes conflitos emocionais e sexuais.
The Squid and The Whale é um relato muito interessante sobre a família, sobre os erros pessoais, sobre a importância do casamento, um pouco à semelhança do que outrora fez Woody Allen em vários filmes seus. Deixo uma nota bastante positiva ainda para o facto de a música do filme ser “Hey You” dos Pink Floyd.